Pe. Colombo Nunes Pires EP

A 4 de julho de 1336 falecia em Estremoz, Portugal, a Rainha Santa Isabel, Rainha de Portugal. Desde  então suas heroicas virtudes são celebradas pela Santa Igreja, e de modo especial pelos descendentes de seus súditos, mesmo os mais longínquos, até nossos dias.

A sua lembrança está ligada também às populares festividades do Divino Espírito Santo, tão conhecidas tanto em Portugal quanto no Brasil, durante as quais se conduzem uma bandeira vermelha, como também uma coroa de prata encimada por uma pequena pomba, com jovens com trajes nobres que lembram a família real. Tal cortejo recorda aquele em que própria Rainha participou pela primeira vez saindo do convento franciscano de Alenquer, em 1321, para implorar a proteção do Espírito Santo, num momento de terrível aflição para a sua família.

Essa festividade se associa, portanto, a outra solenidade de caráter conexo, porém mais elevado, isto é, a celebração litúrgica de Pentecostes, cinquenta dias após a Ressurreição do Senhor.  Nela a Igreja, desde os tempos apostólicos, celebra a descida do Espírito Santo, em forma de línguas de fogo, sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo com a Santíssima Virgem.

Quase oito séculos já transcorreram. Durante esse largo período, o cortejo de suplica e gratidão iniciado por Santa Isabel se repete com ardor a cada ano, reafirmando a confiança dos fiéis no poder da oração e nos dons do Divino Espírito Santo!

A Rainha desfaz guerra entre pai e filho

Transcorria o ano de 1321. A Rainha, que já experimentara anos de um verdadeiro calvário matrimonial, em razão da desenfreada pratica de adultério por seu esposo, o Rei do Diniz, recebeu mais uma punhalada em seu coração materno. Dom Sanches, um dos filhos ilegítimos – daqueles que haviam sido criados no palácio real, juntamente com os filhos legítimos – foi arbitrariamente escolhido pelo Rei Dom Diniz, para suceder-lhe no trono.

Por sua vez, o príncipe Dom Afonso, primogênito legítimo e, portanto, sucessor do monarca segundo o direito nobiliárquico, recusou com firmeza a aceitar tal decisão, e entrou em conflito com o próprio pai.

Não demorou muito para que tal conflito estivesse prestes a degenerar numa guerra de vida ou morte.

A certa altura, quando os partidários dos dois contendores já estavam alinhados para um confronto de armas, no local que ficou conhecido como da Peleja de Alvalade, se aproximou a Rainha Isabel. Ela erguia um Crucifixo numa das mãos, e estava sentada de lado no dorso de um cavalo, como o faziam as damas de então.

 Profundamente tocados pela cena, os soldados baixaram suas lanças, e no silencio geral, todos puderam ouvir a sua severa admoestação para a suspensão imediata do combate e para a reconciliação dos contendores. As palavras da Rainha tiveram efeito imediato. O filho aproximou-se do pai, para beijar-lhe a mão. O pai, por sua vez, recuou em seu injusto intento de prejudicar o direito de seu filho legitimo.

 Pedido de esmolas em honra ao Divino Espírito Santo

Para implorar ao Divino Espírito Santo a continuidade daquela pacificação familiar e a difusão de seus dons sobre os seus familiares a Rainha Isabel decidiu fazer um tocante sacrifício: sair às ruas para recolher esmolas para serem depois distribuídas às pessoas pobres. Conhecendo as dores que a Rainha sofrera, todas as pessoas desejavam consola-la oferecendo-lhe generosamente as esmolas que ela estava a recolher.

Era uma pequena procissão caritativa, na qual a pequena pomba e a bandeira vermelha lembravam o Divino Espírito Santo e as línguas de fogo que desceram sobre os Apóstolos no Cenáculo. A Coroa representava o Reino de Portugal.

As orações da Rainha foram plenamente atendidas. Dom Diniz abandonou sua vida desregrada, e finalmente o herdeiro legítimo subiu ao trono, com o nome de Afonso IV.

A procissão coletora de esmolas marcou a fundo a alma de todo o povo, e passou a ser lembrada a cada ano… até hoje.

Milagres e corpo incorrupto

Numerosos milagres são registrados nas páginas da biografia de Santa Isabel. Um dos mais conhecidos é aquele ocorrido com as rosas.

O Rei, devido à economia de guerra, havia proibido a larga distribuição de esmolas. Quando Santa Isabel levava no avental dinheiro para socorrer os pobres, encontrou-se com o marido, que lhe perguntou o que guardava ali. Isabel respondeu-lhe que eram rosas. Ora, estava-se no inverno europeu, quando toda a natureza parece morta, e, portanto, não vicejam flores. O Rei quis então ver o que ela realmente levava no avental. A rainha abriu-o, e surgiram belas e perfumadas rosas.

Após a morte de Dom Diniz, em 1325, a Rainha Isabel fez uma peregrinação ao Santuário de Santiago de Compostela, na Espanha, onde fez oferecimento de sua própria coroa, e se retirou ao convento das Clarissas de Coimbra, que ela havia fundado. Ela entregou sua alma a Deus em 1336. Em 1612, ao ser iniciado seu processo de canonização, quando se realizou a exumação o seu corpo foi encontrado incorrupto.

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